Quando você me liga
Pra dizer que está sem-graça de ter ligado
sem saber porquê
Me deixa a linha ocupada
Me rasga a noite que se fingia alegre
e eu me pergunto pra que...?
Se foi para abrir uma fresta
se foi pra me dar esta "chance"
de não esquecer do lance
que fez você desistir de mim...
Me conta o que é que prentende
Quando revolve cinzas e dores
Me fala o que eu posso fazer ?
Com sua lábia e seu jogo que prende
Que me espera ver cavando
o caminha de volta com as próprias mãos
Prepara a resposta ao pedido:
um talvez e dois nãos
E as razões que você enumera
Pra estar certo que o melhor é ficar longe
Que sua queixa só se esconde
pra que eu corra atrás do seu sim
Seu vício de me colocar nesse papel,
no duro ofício da reconquista
já não me cabe, amor...
eu já perdi de vista.
Desculpe desligar assim,
por mais que meu peito resista
mas é que eu preciso viver
e ter a linha livre
outra vez.
CoRa soprou estas palavras ao vento às
12:11 PM
Belas Funções
Às vezes, tenho a doce ilusão - que é verdade, pois toda verdade é uma mentira ao contrária, ou tão só, vista de outro ângulo -, de que os matemáticos podem estar e físicos podem estar entre os maiores poetas do mundo; aja vista que, toda emoção é emotivamente lógica - isto é lógico -, e toda razão é racionalmente emotiva.
Belas funções. Equações. A física - moderna - chegou a um ponto que parece poesia, ou tão só filosofia vã.
Seria Deus, ou a Mônada, um algorítimo?
Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
10:46 AM
É o próprio Platão quem nos dá uma idéia magnifica sobre a questão da ordem implícita e explícita no seu célebre "Mito da Caverna" que se encontra no centro do Diálogo A República. Vejamos o que nos diz Platão, através da boca de Sócrates:
Imaginemos homens que vivam numa caverna cuja entrada se abre para a luz em toda a sua largura, com um amplo saguão de acesso. Imaginemos que esta caverna seja habitada, e seus habitantes tenham as pernas e o pescoço amarrados de tal modo que não possam mudar de posição e tenham de olhar apenas para o fundo da caverna, onde há uma parede. Imaginemos ainda que, bem em frente da entrada da caverna, exista um pequeno muro da altura de um homem e que, por trás desse muro, se movam homens carregando sobre os ombros estátuas trabalhadas em pedra e madeira, representando os mais diversos tipos de coisas. Imaginemos também que, por lá, no alto, brilhe o sol. Finalmente, imaginemos que a caverna produza ecos e que os homens que passam por trás do muro estejam falando de modo que suas vozes ecoem no fundo da caverna.
Se fosse assim, certamente os habitantes da caverna nada poderiam ver além das sombras das pequenas estátuas projetadas no fundo da caverna e ouviriam apenas o eco das vozes. Entretanto, por nunca terem visto outra coisa, eles acreditariam que aquelas sombras, que eram cópias imperfeitas de objetos reais, eram a única e verdadeira realidade e que o eco das vozes seriam o som real das vozes emitidas pelas sombras. Suponhamos, agora, que um daqueles habitantes consiga se soltar das correntes que o prendem. Com muita dificuldade e sentindo-se frequentemente tonto, ele se voltaria para a luz e começaria a subir até a entrada da caverna. Com muita dificuldade e sentindo-se perdido, ele começaria a se habituar à nova visão com a qual se deparava. Habituando os olhos e os ouvidos, ele veria as estatuetas moverem-se por sobre o muro e, após formular inúmera hipóteses, por fim compreenderia que elas possuem mais detalhes e são muito mais belas que as sombras que antes via na caverna, e que agora lhes parece algo irreal ou limitado. Suponhamos que alguém o traga para o outro lado do muro. Primeiramente ele ficaria ofuscado e amedrontado pelo excesso de luz; depois, habituando-se, veria as várias coisas em si mesmas; e, por último, veria a própria luz do sol refletida em todas as coisas. Compreenderia, então, que estas e somente estas coisas seriam a realidade e que o sol seria a causa de todas as outras coisas. Mas ele se entristeceria se seus companheiros da caverna ficassem ainda em sua obscura ignorância acerca das causas últimas das coisas. Assim, ele, por amor, voltaria à caverna a fim de libertar seus irmãos do julgo da ignorância e dos grilhões que os prendiam. Mas, quando volta, ele é recebido como um louco que não reconhece ou não mais se adpata à realidade que eles pensam ser a verdadeira: a realidade das sombras. E, então, eles o desprezariam....
Qualquer semelhança com a vida dos grandes gênios e reformadores de todas as áreas da humanidade não é mera coincidência.
Bibliografia Sugerida Reale, Giovanni & Antiseri, Dario. - "História da Filosofia", vol. I, Ed. Paulus, São Paulo, 1990
Platão, Coleção Os Pensadores, Nova Cultural, 1988.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
4:32 PM
20.10.03
Curso de Línguas
Toda língua é dada - ao falante.
No fundo, toda língua é afiada.
Toda língua, pode ser afundada ( extinta ).
Línguas? Podem ser faladas
e/ou lidadas.
Línguas? Algumas são bifurcadas,
- venenosas - outras são beijadas.
Línguas? Podem dar pedradas - verbais.
Toda língua é maltratada;
outras ..., por beijos bem tratadas.
Toda língua pode ser saboreada!
Toda língua é desfalcada.
Toda língua é babada.
Há línguas badaladas.
Há línguas furadas.
Há línguas especificadas.
Há línguas estudadas.
Há línguas juridificadas.
Há línguas sofisticadas.
Há línguas simplificadas.
Há línguas molhadas.
Há línguas aguardadas
Há línguas desejadas.
Há línguas esquentadas.
Há línguas para a gentarada.
Há até mesmo, línguas para a balada!
NÃO HÁ língua santificada,
nem mesmo abençoada.
Por não ser tão genérica, toda língua é generalizada.
Algumas línguas são desejadas;
Outras, duplamente desajeitadas.
Algumas línguas são amadas;
Outras, odiadas.
Algumas línguas são amordaçadas;
Outras, amaldiçoadas.
Algumas línguas deveriam ser paralisadas!
Toda língua é gramaticalmente ajeitada.
Pois é: Toda língua, é por nós abstrada, - embora o correto seja, abstraída.
Às vezes, alguma língua é por nós cruelmente arrancada.
Há línguas usurpadas,
e também há usadas.
Há línguas cansadas,
de serem faladas.
Há línguas desocupadas.
Há línguas - de tantos sotaques - surradas.
Há línguas, tão somente lembradas.
Há linhas, tão só, sonhadas!
Toda língua, é por si findada.
Toda língua, é NADA.
Francisco Maximiano da Silva
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:25 AM
14.10.03
Poema Inacabado
O que escrevo,
É o que há no coração de todos
e - talvez -
nem mesmo eu,
Ou Eles entendem. Mas,
SENTEM.
Somente, sentem.
Entender!?
Entender razões que a razão desconhece!?
Entender não é preciso.
Então:
Era uma vez ...
Francisco Maximiano da Silva.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
2:09 PM
13.10.03
O plágio : caso 2
Outro lamentável membro do infeliz grupo literarte , André Luis Aquino, que já mereceu a publicação de um post com um texto seu (?) aqui no Tempestade, plagiou descaradamente um texto meu, O Amor renasce inspirado no O Amor acaba, de Paulo Mendes Campos. Assim como o plágio anterior, se basearam no meu texto para produzir outro. talvez por isso o meu weblog não seja tão famoso, as pessoas me usam como degrau para tentarem a fama.Comparem:
O amor renasce
O amor renasce das cinzas de uma separação dolorosa, tal fênix; renasce de um perdão concedido por uma traição cometida; renasce num raro instante de paz e armistício entre uma árabe e um israelense, no oriente médio; no perdão da dívida, e não nas moratórias intermináveis, o amor renasce; no alto de um prédio instantes antes de um suicídio ser cometido, assim ele realmente renasce; na acolhida que a mãe dá ao filho pródigo que a casa torna, e quando a ovelha negra da família é readmitida no lar; por todo o lugar, na mesma medida que morre o amor renasce como o sol que raia e se põe diariamente; o amor renasce tal e qual sementes que só germinam após um incêndio na floresta e geram as maiores árvores de lindas flores e frutos doces que alimentam o espírito; renasce como uma planta amarelada esquecida num canto escuro e seco de sua casa que se revigora quando exposta à luz acolhedora do sol e ao carinho da água regada sobre as suas folhas; o amor brota por toda a parte, como ervas daninhas que insistem em crescer em nosso coração, como trepadeiras em nossa alma; o amor renasce da relação proibida entre o padre e a devota fiel; da união anti-ética entre o psicólogo e a paciente, ele renasce dogmático; o amor renasce sem razão aparente, entre parentes; da união incestuosa entre irmãos, o amor renasce escondido; dos abusos sexuais que alguns pais infligem às filhas, o amor violento renasce; o amor renasce sui generis entrementes e habeas corpus; entre ortos, homos e heteros, renasce sem rótulos, estereótipos, barreiras tabus ou limites; o amor renasce insistente junto com os mortos-vivos e zumbis do filme no cinema, na garota agarrando medrosa o ombro do namorado; o amor renasce quando Julieta ressuscita e toda a história muda; renasce apaixonado quando Cristo traz Lázaro dos mortos e quando o próprio Cristo ressuscita : o amor renasce no terceiro dia; o amor renasce numa carona dada depois da aula, num flerte dentro de um ônibus e até num atropelamento: o amor renasce no trânsito quando veículos e vidas colidem; o amor renasce quando o sexo não mais existe, na terceira idade em retratos desbotados em asilos esquecidos pelo tempo; no pregão da bolsa de Tóquio, entre dois operadores exauridos, o amor renasce indexado; quando o executivo dita uma carta para a secretária insinuante de pernas cruzadas e quando a doméstica deixa a porta do quarto entreaberta para o patrão, ele renasce com a força do pecado; o amor renasce em São Paulo num escritório, no Rio de Janeiro na praia, numa churrascaria no Rio Grande do Sul , na esplanada dos ministérios, em meio à corrupção; amor renasce em todos os lugares e fusos horários; quando finda a esperança, a última que morre, o amor é o primeiro que renasce; o amor morre nas mãos do carrasco chamado orgulho e renasce curado pela donzela sinceridade, e cresce mais forte quando cortado como cabelos e unhas, sempre a crescer; o amor renasce como escravidão do corpo e como grilhões nas almas notívagas e afoitas pelo doce cárcere de algemas que prendem as mãos, celas que retém os corpos unidos e delimitam as ações e traições; como cola nos lábios, entrelaçar de línguas, razões injustificáveis e desiderato de se ver e falar diariamente ao telefone; renasce de cartas perfumadas escritas entre lágrimas e pulsar implorando perdão; de flores e bombons, ursinhos de pelúcia e filhotes de cães ornados com laços róseos de paixão e escovas de dente juntas; o amor surge e ressurge diariamente como os índices da bolsa de valores, como hóstias nas bocas dos católicos, como palavras escritas em vão por escritores frustrados, como um olhar de fúria de um assassino, como o delírio de um bêbado num boteco de esquina, a ilusão de um louco, ou batom nos lábios de uma prostituta; ressurge do bolinar tímido entre um homem e uma menina e vice- versa; ressurge dos pólos opostos, da corrente alternada , da água a jorrar por turbinas gerando a corrente elétrica que faz o mundo girar e a tudo ilumina, apagando-se subitamente só para, em seguida, reacender iluminando os corações da humanidade.
Inspirado em "O amor acaba", de Paulo Mendes Campos
O amor renasce a cada dia no coração das pessoas; a amor renasce numa canção que você não ouvia faz tanto tempo e te fez lembrar de alguém; o amor renasce em olhares perdidos ou em olhos nos olhos que lutam para não se cruzar porque se cruzarem você sabe que vai dar frio na espinha; o amor renasce nas lágrimas de saudade e na foto guardada bem longe dos olhos, mas perto do coração.
O amor renasce porque amor não dura para sempre, o amor renasce porque tem amores que podem fugir a regra; o amor renasce naquelas noites em que você não consegue dormir e tudo que você queria é que te fizessem dormir, fosse com um carinho, fosse com um abraço, fosse com desejo...
O amor renasce porque se pode amar a mesma pessoa de infinitos jeitos e formas; o amor renasce porque se pode se amar a mesma pessoa em tempos diferentes; o amor renasce porque ele não conhece o espaço nem o tempo, ele é maior, bem maior que isso.
O amor renasce porque ele sobe a serra, ele desce a serra, ele vai onde tiver que ir; o amor renasce nas faculdades, quando você senta atrás ou do lado de uma colega que vira seu amor; o amor renasce nos bares entre copos de cerveja; o amor renasce até quando você come um cachorro quente sozinho na esquina; o amor renasce mesmo quando todos dizem que não tem mais jeito, que ela ou ele já não gostam de você.
O amor renasce em dias de chuva ou em dias de sol, em dias de céu claro ou com trovão, em dias que parece que nada vai acontecer; o amor renasce em coração mole ou em coração de pedra; o amor renasce nos olhos claros e nos olhos escuros, nos nativos de câncer ou com ascendente em escorpião.
O amor renasce a cada dia, mesmo sabendo que um dia ele pode morrer; o amor renasce porque as pessoas se perdoam; o amor renasce porque o destino permite; o amor renasce seja pela verdade ou pela ficção, por ideal ou pela emoção, pela sinceridade ou pela ilusão.
Devo deixar claro, que a crônica que redigi, O amor renasce é uma paráfrase ao Amor acaba, de Campos. Este tipo de trabalho denomina-se intertextualidade; quando um texto remete à outro, seja citação, referência ou inspiração, deve-se citar a fonte.Como eu fiz. Pelo jeito, estou fazendo escola, então porque também não imitam a minha ética?
Este texto foi publicado simultaneamente nos seguintes weblogs: Areias ao Vento, Tempestade de Areia, Aos 4 Ventos e Labirinto.
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
5:30 AM
10.10.03
Aos amantes e praticantes de Artes Marciais
Artes Marciais e Confef
Sucesso na audiência pública
"Gostaria de comunicar a todos nossos os alunos a respeito desta audiência pública realizada no dia 26/09/2003 no Congresso Nacional, para debater sobre o PL. 7370 do Dep. Fleury. O Conselho Federal de Educação Física (Confef), diz que apenas pessoas formadas em Educação Fisica podem dar aulas. O talento, a experiência, o conhecimento, a arte e a tradição não tem valor nessa ótica classista e discriminatória . Nesta ocasião foram chamados somente os profissionais das Artes Marciais, sendo que a audiência da Dança já ocorreu em 26/06, e ficando por fim a da Yoga.
Estive neste plenário ao lado de todos os Presidentes de Confederações e alguns Presidentes de Federações de Brasília, não estando presentes nenhum representante do Jiu Jitsu, Sumo e do Kung Fu Wushu. O Kung Fu Kuoshu estava bem representado pelo Mestre Li Wing Kay.
A presença deste grupo foi de crucial importância para o apoio de diversos Deputados a nosso favor, no qual perceberam a força das artes marciais no país. Apesar de uma força ainda que dispersa.
A atleta Tetra- Campeã Mundial de Karate, Carla Ribeiro e advogada domiciliada em Brasília, nos representou no plenário com excelente sustentação e argumentação, tendo sido diversas vezes interrompida por APLAUSOS das pessoas que ali estavam.
Ainda a nosso favor falou Manoel do Nascimento Machado filho do Mestre BINBA, introdutor da capoeira no país, que foi de grande valia; Paulo Zorello, outro grande guerreiro que colocou a situação das artes marciais no que se refere as suas conquistas nacionais e internacionais, sem nunca ter precisado de nenhum órgão; Antonio Flavio Testa que se colocou de forma espetacular em cinco minutos, tempo suficiente para fazer um profissional da Educação Física ser expulso do plenário por perder a postura.
Ainda a nosso favor, dando apoio incondicional ao projeto do Dep. Fleury o Procurador Distrital de Direitos Humanos o Sr. Antonio Ezequiel, que enfatizou que os Crefs feriram a Constituição Brasileira, usaram de interesses particulares e que ainda agiram de má fé.
O Presidente do Confef preferiu não sentar à mesa, indicando o Presidente do Cref de Brasília, o qual somente se apoiou na violência causada pelos praticantes de artes marciais de Brasília, subsídio este que foi como um tiro que saiu pela culatra.
Por fim, em uma Audiência de quatro horas, se colocássemos em um placar, ganhamos por 5 X 2. Cinco dos setes Deputados Federais que se expressaram estão INCONDICIONALMENTE a favor do projeto do Dep. Fleury, são eles: Dep. Fleury, Alice Portugal, Lindenberg Faria, Luis Carlos Gourt, Claudio Cajado.
A guerra não esta ganha, mas de certo vencemos uma importante batalha. Para um resultado 100% a nosso favor, devemos cada vez mais unir os profissionais de artes marciais, dança e yoga , e não deixar que este órgão tire nossa liberdade de trabalho.
Para finalizar, pedimos a todos os alunos que divulguem este assunto para as pessoas de seu relacionamento, porque até mesmo profissionais da área não sabem ao certo o que esta ocorrendo, e dos direitos que nos pertencem.
E como resultado desta vitória parcial, foi colocado, nesta audiência, a suspensão de todo processo de pagamento exercida pelos Crefs assim como sua fiscalização e qualquer tipo de pressão, até esclarecimento e finalização de todo este processo. Segundo a palavra do Sr. Ezequiel, isto foi deliberado por uma Liminar Federal, e que se faça cumprir a lei de Brasília.
Os alunos que ainda quizerem nos ajudar, ligue para 0800.619.619 (Liberdade de Movimento) e nos auxilie nesta jornada, para que no fim saiamos vitoriosos
Abrigado a todos. Sifu Marco Serra"
Retirado do comunicado aos alunos do site da Tat Wong Kung Fu Academy - Brasil (Matriz).
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
1:12 PM
9.10.03
Chore comigo
um chorinho assim
de amante sozinha
que perdeu o que tinha
e o que não tinha
num dia de chuva
virando viúva
do homem que disse
ao final de tudo
que não tinha
do que
sentir saudade...
CoRa soprou estas palavras ao vento às
11:29 PM
Algo me irritou profundamente hoje, apesar de que já era de se esperar.Trata-se do texto abaixo, do grupo literarte, do qual eu participo como observador. Obviamente um plágio de um texto meu, que fizeram porque obtiveram o texto de duas prováveis fontes: ou através da internet, ou através de cartas à Raelis. Compare-os
Pat ("Eu que já não quero mais ser um vencedor, levo a vida devagar pra
não faltar amor" - Marcelo Camelo) www.onzedias.blogger.com.br
ICQ: 225719398
Suruba silábica
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele
artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com
alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo
era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas
com um maravilhoso predicado nominal.
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário
dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem,
fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos,
num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa
oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e
permitiu esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro:
ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar
alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre
parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só
que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do
substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela
em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio,
ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa.
Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo
para ela.
Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele
começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi
usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a
um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar
num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e
ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa
pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria
entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda
era vírgula: ele não perdeu o ritmo e sugeriu um longo
ditongo oral, e quem sabe, talvez, uma ou outra soletrada em
seu apóstrofo.
É claro que ela se deixou levar por essas palavras,
estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o
comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz
ativa.
Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele
foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa
próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia
tomando conta dela inteira. Estavam na posição de primeira e
segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da
passiva, ele, todo paroxítono, sentindo o pronome do seu
grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo
auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou
dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram
gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e
exclamativas.
Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica,
ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus
advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se
olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por
todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou
o seu adjunto adnominal.
Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem
comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando
dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo
do sujeito apontado para seus objetos.
Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo
do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma
mesóclise-à-trois.
Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um
ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e
culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num
artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo,
resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo
auxiliar pelo seu conectivo, jogou pela janela, e voltou ao
seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o
artigo feminino colocado em conjunção coordenativa
conclusiva.
autor desconhecido
versus
O verbo que brigou com a gramática
Você é a minha metáfora de amor... dentro da qual quero ficar elíptico sob os lençóis ,fazendo silepses de gêneros num pleonasmo vicioso repleto de hipérboles até que suspires os seus zeugmas saciada.
É polissíndeto,eu sei mas insisto: você é a minha alegoria, mesmo quando se perde em anacolutos e anástrofes fúteis, confundindo-se em hipérbatos. Contigo eu jamais cometeria uma sinédoque, mesmo que contra mim cometas uma metonímia em um momento de interrogação qualquer em que uma comparação entre mim e outro torne-me um eufemismo .
É hipérbole, dizes, mas o que posso fazer se é o que sinto na gradação dos dias que passamos juntos? Eu exclamo que a amo e você acha ironia e me ataca com antíteses que resultam em convenientes catacreses.
Quando eu lhe presentei com prosopopéias para alegrarem os seus dias,você agradeceu com doces perífrases e antonomáias, que no entanto não me iludiram...havia algo de barbarismo no que você dizia, uma cacoépia quase imperceptível denunciou que um estrangeirismo ameaçava a nossa sintaxe. Mas por você, eu suporto qualquer hibridismo, eu aceito até um solecismo ;dane-se o que dizem os outros, eles são apenas plebeísmos que só vêem ambigüidade e cacófatos pleonásmicos em tudo.
Desculpe aquela colisão no pretérito imperfeito, mas os meus afixos não são de aço e o hiato daquele italianismo me fez perder a cabeça... e afinal, o que é pretérito é pretérito.
Enfim, Gramática, espero que me perdoe e não me julgue irregular e possamos continuar produzindo o nosso eco por muitos anos...
Sinceramente,
Verbo.
Gregory Grimaud
Sugiro uma leitura deste link abaixo, onde estão publicados alguns textos meus. Parece que o texto suruba silábica se assemelha muito com o Verbo que brigou com a gramática, de minha autoria, que alguém encontrou por estranha coincidência no mesmo blog onde está um texto meu inspirado no texto de Fabio Caim, membro do literarte, veja...
Gregory Grimaud soprou estas palavras ao vento às
3:05 AM
6.10.03
Primeiras Vogais ( A e E com O Navio no meio )
A e E, e
Há um navio no meio que,
gostaria de nele embarcar
Meu coração - de sonhador, talvez.
Mas ...
mas o navio tem
Mente - a vontade, a qual chamamos livre arbítrio -;
A mente é A, E e O Navio.
O Navio, no meio de A e E.
O Navio ... - 31 de janeiro seria seu nome, ou tão somente, Espírito do Ar?
À ele, outras coisas convéns,
do que embarcar meu
Solitário Coração.
Mas , A e E - com o navio no meio - em coração meu,
já encontram-se embarcados.
Não queria que meu navio
vira-se o mundo,
em torno de A e E - com o navio no meio. No meio -,
mas ele vira.
E, eu?
Ah! Meu embarque não é permitido.
Francisco Maximiano da Silva.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
2:33 PM
2.10.03
Levarei ... Pensamentos Esdrúxulos
Hoje, lá fora brilha forte o
Rei - ainda que o chamem de anã ( ainda bem, para o nosso bem ).
Dia contente em que, o sol brilha forte?
Gostaria que brilhassem forte
todos os Corações do mundo,
mas alguns ainda vagam solitários - ainda que acompanhados -
Às Sombras.
Ter com os
monstros de nossa criação
às vezes é bom para nos encontrarmos,
ou quem sabe,
nos reencontrarmos.
Pois então, - independente do coração e dos corações -
Levarei a vida.
Não, não e não - e ai, dos que se atreverem a dize que sou poeta .
Ao contrário do senhor
Álvaro - persona do Pessoa -
não deixarei versos.
Deixarei apenas, - e tão somente, nada mais -
Pensamentos esdrúxulos,
Borrões digitados,
Filosofias vãs - que não mudarão o mundo, muito menos eu mesmo.
Sim,
não deixarei obra - ora vejam só, quanta pretensão! -,
deixo apenas sobras.
Sobras de uma alma sem calma - ou dum coração cujo ao chão ...
os pedaços pousam, ... se acalmam.
Sim, independente de mim - ou de você -
Brilha forte o sol lá fora.
O brilho de alguns, que talvez aos outros falte.
Então, levarei,
Irei - avante, levante! -,
Lavarei - lavar? -,
Persistirei,
Existirei - ainda que não exista, não desistirei -
Expulsarei - todos os meus monstros.
Levarei a vida - Não; sem ela me levar.
Sim, levarei ...
E quando estiver cansado ...
Só quando já estiver cansado.
Então serei - tão só por algum tempo - lembrança e nada mais.
E o sol ainda brilhará lá fora.
Francisco Maximiano da Silva.
Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às
9:19 AM